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A profecia de Nibiru, o suposto planeta que alguns grupos dizem que levará ao fim do mundo no dia 23

Já existe uma nova data para o fim do mundo.

A última teoria do apocalipse afirma que um corpo celeste desconhecido, chamado Nibiru ou Planeta X, vai colidir com a Terra em 23 de setembro de 2017.

A profecia sobre Nibiru e o fim do mundo circula na internet há mais de duas décadas e ganhou força nas últimas semanas. A teoria, que combina astronomia, pesquisa científica e passagens bíblicas, já foi descartada pela Nasa em diversas ocasiões.

Inicialmente, a profecia afirmava que a catástrofe ocorreria em maio de 2003. Quando nada aconteceu, seus seguidores fizeram uma nova interpretação e a programaram para dezembro de 2012, fazendo uma conexão com um dos ciclos do calendário maia.

A mais recente previsão teria sido formulada a partir de uma teoria de David Meade, autor do livro Planet X - The 2017 Arrival ("Planeta X - 2014, a Chegada", em tradução livre para o português), que se autodescreve como "especialista em pesquisas e investigações".

Segundo ele, a nova estimativa é baseada em passagens da Bíblia e em supertições que rondam o número 33 - número de dias do intervalo entre o eclipse solar de 21 de agosto, considerado um "presságio", e a data prevista para a colisão de Nibiru.

"Jesus viveu 33 anos. O nome de Elohim, que é o nome de Deus para os judeus, foi mencionado 33 vezes [na Bíblia]. É um número muito significativo biblicamente, numerologicamente significativo. Estou falando de astronomia. Estou falando da Bíblia... e mesclando os dois", disse Meade em entrevista ao jornal americano The Washington Post.

Eclipse de 21 de agosto de 2017Direito de imagemREUTERSImage captionEclipses, como o do último 21 de agosto, eram interpretados por culturas antigas como presságio de eventos negativos

Como tudo começou

De acordo com jornal britânico The Telegraph, as teorias conspiratórias sobre a existência de Nibiru começaram em 1995, quando a americana Nancy Lieder criou o site ZetaTalk. Ela afirma ser um canal de comunicação com alienígenas, que a teriam alertado sobre a catástrofe de Nibiru.

A teoria ganhou força novamente agora com as previsões de David Meade.

"A passagem do Planeta X pode ser a maior catastrófe sobre a humanidade desde a Arca de Noé".

"Vulcões em toda a Terra vão entrar em erupção junto com múltiplos terremotos de alta magnitude, tsunamis e tempestade de meteoros", descreve Meade em seu site.

'Teoria conspiratória'

Mas essa profecia tem alguma evidência científica?

A agência espacial americana já afirmou em diversas ocasiões que o planeta Nibiru não existe e que não há fundamentos para tal crença.

"É uma teoria conspiratória de internet", garante.

Em artigo publicado em 2012 por conta do suposto apocalipse previsto para aquele ano, a agência foi contundente:

"Se o Nibiru ou Planeta X fosse real e se dirigisse à Terra, os astrônomos estariam seguindo ele há pelo menos uma década, e agora seria visível a olho nu. Obviamente, não existe."

David Morrison é um dos cientistas mais críticos da Nasa e já se manifestou publicamente para desmentir a teoria de Nibiru. Em 2011, ele afirmou que chegou a receber até cinco e-mails por dia de pessoas perguntando sobre o suposto planeta.

David Morrison, cientista da NasaImage captionDavid Morrison, cientista da Nasa, gravou vídeos e escreveu artigos para descartar a existência de Nibiru (Foto: YouTube)

Morrison definiu ainda como "absurdas" as teses de que Nibiru talvez não tenha sido localizado porque está escondido atrás do Sol, ou porque só pode ser visível do Polo Sul.

Em entrevista ao jornal americano The Washington Post, em janeiro, o cientista lamentou que ainda haja cerca de 2 milhões de páginas na internet sobre a suposta colisão de Nibiru com a Terra.

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Terremoto é detectado na Coreia do Norte perto de zona de testes nucleares

Um terremoto de magnitude 3,4 foi detectado neste sábado na Coreia do Norte.

O tremor teria ocorrido perto de uma zona onde sismos semelhantes já haviam sido registrados durante a realização de testes nucleares.

Sismólogos chineses disseram se tratar de "uma explosão suspeita". Mas a Coreia do Sul informou que pode ser um terremoto natural.

No último dia 3 de setembro, a Coreia do Norte realizou um potente teste nuclear que foi amplamente condenado pela ONU.

A potência do terremoto deste sábado é menor do que a usualmente detectada quando a Coreia do realiza testes nucleares.

Depois do último teste, dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicaram se tratar, inicialmente, de um terremoto de magnitude 5,6 a uma profundidade de 10 km.

Mais tarde, o tremor foi classificado como de magnitude 6,3 a 0 km.

O terremoto deste sábado foi registrado em uma profundidade de 0 km na província de Hamgyong do Norte, onde se localiza a zona de testes nucleares conhecida como Punggye-ri, disse a agência meteorológica da Coreia do Sul.

As autoridades sul-coreanas afirmaram acreditar que se tratou de um terremoto natural porque ondas sonoras específicas geradas por tremores artificiais não podem ser detectadas, informou a agência de notícias Reuters.

Analistas da Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT, na sigla em inglês) estão analisando "a atividade sísmica atípica de pequena magnitude" na Coreia do Norte, disse o secretário-executivo da entidade, Lassina Zerbo, no Twitter.

Ele afirmou que o terremoto ocorreu "a 50 km dos testes anteriores".

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Traficante, 'primeira-dama' e ex-guarda-costas em guerra por poder na Rocinha: a visão de biógrafo de Nem

De um lado, o antigo guarda-costas e atual desafeto, que assumiu o poder do morro depois da prisão do mentor. De outro, a mulher do ex-chefe, condenada por tráfico, foragida, mas que, nas redes sociais, ostenta os cabelos pintados bem louros, o corpo bronzeado com biquínis e decotes, óculos escuros de grife e colares de ouro com pingente de coroa.

Ainda é cedo para concluir que a disputa de poder na Rocinha, zona sul do Rio, e a violência detonada na área, que culminou em novo tiroteio na manhã desta sexta-feira e com a decisão de intervenção do Exército, tenham sido ordenadas pelo traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, vulgo Nem, de dentro de uma prisão de segurança máxima, considera o jornalista britânico especializado em crime organizado Misha Glenny.

Mas o racha interno e a crescente tensão entre a mulher e "herdeira" de Nem, Danúbia Rangel, e seu ex-aliado e sucessor, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, precedem o conflito, em uma disputa de protagonismo que pode ajudar a explicar o embate - que gerou fortes tiroteios e imagens de guerra de domingo para cá na maior favela do Rio.

Glenny conta a história de Nem no livro O Dono do Morro: um homem e a batalha pelo Rio (Companhia das Letras), lançado no ano passado.

Em entrevista à BBC Brasil, ele considera que ainda há lacunas a se preencher sobre o papel que o ex-chefe do morro, preso em 2011 e atualmente em um presídio de segurança máxima em Porto Velho, Rondônia, teve no episódio.

Mas diz que Nem continua sendo "extremamente influente" na Rocinha e que Danúbia vinha buscando maior protagonismo na comunidade, com uma divisão de forças entre ela e Rogério 157.

"Claramente havia muita tensão entre o Rogério e a Danúbia. A única coisa que eu ainda não entendi é se a Danúbia estava agindo motivada por sua própria ambição, ou se estava representando, de fato, o Nem", considera Glenny. "Eu suspeito que se trate mais da primeira opção, mas essa é só uma interpretação minha."

O jornalista Misha GlennyImage captionGlenny aponta para tensão entre Danúbia e Rogério 157, ex-aliado de Nem | Foto: Divulgação/ Ivan Gouveia

Danúbia teria sido expulsa da Rocinha a mando de Rogério, e ambos estão foragidos. Ela, porém, parece se manter ativa nas redes sociais, onde, na segunda-feira, em uma conta que acredita-se ser dela, gabou-se de um perfil publicado no jornal O Globo. Postou o link da matéria destacando um trecho que a compara com a Bibi Perigosa vivida por Juliana Paes na novela A Força do Querer. "Viu só como estou poderzão ainda?", escreveu com um emoji de sorriso escancarado.

Na semana anterior, essa conta postou um panfleto do disque-denúncia com sua foto e de outras mulheres procuradas pela polícia, fazendo troça: "Eu e minha coleguinhas bombando por aí", diz, ao lado de carinhas chorando de tanto rir.

Glenny diz que Danúbia não é muito popular na Rocinha, sendo uma "forasteira" que veio da Maré, complexo de favelas na zona norte do Rio. Teria autoridade na favela não por sua personalidade, mas por ser mulher de Nem, tornando-se uma rara liderança feminina no mundo do tráfico - que lhe rendeu a alcunha de "Xerife da Rocinha". Ela é a quarta esposa de Nem - que, segundo Glenny, sempre se mostrou "muito apaixonado" por ela. Antes, foi mulher de dois traficantes na Maré, ambos mortos pela polícia. Daí também o apelido de "viúva negra".

No domingo, a Rocinha foi invadida por dezenas de traficantes de morros como o São Carlos e o Vila Vintém, favelas controladas, assim como a Rocinha, pela facção criminosa conhecida como Amigos dos Amigos (ADA). O bando estaria, a pedido de Nem - segundo os jornais -, tentando tomar o controle das mãos de Rogério 157, em uma disputa interna da favela por integrantes da mesma organização.

Glenny, que se encontra em Londres, diz que segue acompanhando de perto a escalada de violência no Rio e considera que os governos estadual e federal tem sido "incapazes" de lidar com a guerra de facções no Rio, que as Unidades de Polícia Pacificadora só continuam existindo "no papel" e que o envio do Exército para o Rio "não teve qualquer impacto na redução da criminalidade".

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil - O seu livro narra desde a ascensão de Nem a "dono do morro" à sua prisão em 2011. Ele agora está em um presídio de segurança máxima em Rondônia - que papel você acha que ele desempenhou nessa disputa?

Misha Glenny - Citando fontes da polícia e do sistema prisional, os jornais dos últimos dias têm dado como certo que Nem comandou a invasão da Rocinha através da Danúbia (Rangel, sua mulher). Para mim, isso ainda é uma questão em aberto. Não digo que não aconteceu, mas não está comprovado.

O Nem continua sendo uma figura incrivelmente influente e popular na Rocinha, e as pessoas o ouvem muito, mas não sabemos ainda até que ponto ele está envolvido.

Se a ordem partiu dele, para quem teria dado a mensagem? Desde o início do mês ele não teve visitas da família, e só na terça desta semana foi visitado por seu advogado.

Postagem de conta atribuída a Danúbia no FacebookImage captionDanúbia, que aparece em conta no Facebook que seria sua, é a quarta esposa de Nem | Foto: Reprodução/Facebook

BBC Brasil - Sempre vemos disputas entre facções rivais no Rio, mas o que parece notável neste caso é que a disputa é entre integrantes da mesma facção (a ADA). O que precipitou esse conflito interno?

Glenny - Na última vez que estive no Rio, em dezembro, já tinha havido um racha entre a Danúbia e o Rogério (Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, sucessor de Nem no comando do tráfico da Rocinha). A Danúbia havia criado seu próprio bonde e tinha seus próprios seguranças. E havia um terceiro protagonista nessa história, o Perninha (Ítalo Jesus Campos), que era braço direito do Nem e foi assassinado no dia 13 de agosto (investigações apontam que Perninha planejava tomar a favela a mando de Nem). Há indícios de que ele estava se aproximando da Danúbia, queria abrir suas próprias bocas de fumo, e por isso foi assassinado.

Então antes de se falar em uma ofensiva comandada pelo Nem a partir da prisão, é preciso considerar que já havia essa disputa interna dentro da Rocinha. Havia divisões internas, com a Danúbia aparentemente querendo ter mais protagonismo, e a comunidade se dividindo sobretudo entre ela e o Rogério.

BBC Brasil - A Danúbia agora está foragida e teria sido expulsa da comunidade pelo Rogério. Qual é a importância e o papel desempenhado por ela na Rocinha? Você a conheceu?

Glenny - Eu conheci a Danúbia. O Antônio (Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem) sempre me deu a entender que é muito apaixonado por ela. Ela é sua quarta esposa e se tornou uma figura muito poderosa na Rocinha, embora não seja muito popular na comunidade.

Sua autoridade vem do fato de ser casada com o Nem, não de sua personalidade. Ela vem do Complexo da Maré, é uma forasteira. E, sobretudo, é uma mulher. Do ponto de vista sociológico, sua história é muito interessante. A tradição no tráfico de drogas no Rio não é particularmente amigável a mulheres. E certamente não em posições de liderança. Então é uma situação incomum.

Claramente havia muita tensão entre o Rogério e a Danúbia. A única coisa que eu ainda não entendi é se a Danúbia estava agindo motivada por sua própria ambição ou se estava representando de fato o Nem. Eu suspeito que se trate mais da primeira opção, mas essa é só uma interpretação minha.

BBC Brasil - Como a operação da ADA se distingue das outras? Há muito foco na personalidade dos líderes, como vemos até hoje na influência da figura do Nem, mesmo preso desde 2011?

Glenny - A ADA nasceu com muito sangue, a partir de uma ruptura no Comando Vermelho (CV) nos anos 1990, que se deu com muitas mortes. É a mais jovem facção das três (cariocas). Quando o Nem assumiu o controle da Rocinha, ele adotou o estilo de um de seus antecessores, o Lulu (Luciano Barbosa da Silva, que chefiou a comunidade antes dele e foi morto pelo Bope em 2004).

A sua marca foi usar menos violência e se concentrar mais em corromper a polícia e construir uma rede de serviços sociais para assegurar o apoio da comunidade. Essa é uma das marcas da ADA, mas em outras favelas a facção é mais violenta, por causa das ameaças do CV e do Terceiro Comando Puro (TCP).

A desvantagem é que a Rocinha é uma das maiores, se não a maior, distribuidora de cocaína do Rio. É muito valorizada e disputada. Por outro lado, é uma comunidade difícil de invadir se você não tem apoio interno e um contingente grande o suficiente.

A favela da RocinhaDireito de imagemREUTERSImage captionSegundo jornalista, Rocinha é uma das maiores, se não a maior, distribuidora de cocaína do Rio

BBC Brasil - Nos últimos dias, moradores da Rocinha disseram que o Rogério vinha impondo a cobrança de taxas por serviços como distribuição de gás, métodos associados a milícias. Você acha que o Nem poderia querer tirá-lo por isso?

Glenny - Como eu disse, não estou certo de que o Nem estivesse ativamente tentando se livrar dele. Não temos provas disso ainda. Mas certamente o Nem não aprovaria a troca do modelo que ele implementou por outro mais adotado pelas milícias, contrariando o que foi tradição na Rocinha nos últimos 18 ou 19 anos.

Depois de um período muito violento entre os anos 1990 e o começo dos anos 2000, a Rocinha teve o que os moradores consideram seus anos de ouro, com o sistema introduzido por Lulu e seguido e ampliado por Nem.

O Rogério não se fez nenhum favor ao impor novas taxas de pagamento aos moradores, cobrando taxas para mototaxistas operarem, pela distribuição de gás, esse tipo de serviço. Há muita insatisfação dentro da Rocinha com o Rogério e com a maneira como ele vinha chefiando a favela.

BBC Brasil - Você teve uma série de conversas com o Nem nas entrevistas que deram origem ao seu livro. Como o descreve?

Glenny - Eu passei um total de 31 horas com ele. O Nem é uma pessoa que não age espontaneamente. Ele pensa muito antes de tomar qualquer decisão e gosta de discutir as opções com outras pessoas. Fica ansioso no processo, mas quando chega a uma decisão tende a levá-la adiante. Ele é calmo.

Se tivesse tido uma educação melhor, acho que seria uma empresário bem-sucedido, porque tem carisma e sabe tomar decisões. Mas a tese do meu livro é que ele se permitiu ser preso porque achou excessiva a tensão de ser dono do morro.

BBC Brasil - Você diz que tem estado em contato constante com moradores da Rocinha. Que sensação que eles têm te passado?

Glenny - O sentimento é de preocupação generalizada. As pessoas estão extremamente assustadas e apreensivas. Não sabem como a situação vai se desenrolar, mas sabem que ainda não terminou.

Está na natureza dos conflitos em favelas que, quando eles acontecem, explodem sem aviso prévio. Podem ocorrer a qualquer hora. Os períodos de disputas podem ser longos ou curtos, mas eles geralmente são sangrentos. Isso está na memória coletiva da Rocinha. E quando você tem tiroteios dentro de uma favela, as chances de danos colaterais são enormes.

E o pano de fundo é que, como todo mundo sabe, o Estado não está funcionando direito. Isso cria muita tensão para a polícia. Nas imagens de domingo, vimos que os policiais da UPP estavam se escondendo e evitando confronto.

Postagem de Danúbia no FacebookImage captionEsposa de Nem aparentemente se mantém ativa nas redes sociais e faz piada com sua situação criminal | Foto: Reprodução/ Facebook

BBC Brasil - Que tipo de mensagem isso transmite para os criminosos?

Glenny - Significa que o Estado está cedendo o monopólio da violência para os traficantes na favela. É difícil não sentir raiva da administração Sérgio Cabral (ex-governador do Rio, preso em Bangu e condenado nesta semana a 45 anos de prisão por um esquema que teria movimentado R$ 220 milhões em propina entre 2007 e 2014).

Quando Cabral era governador, o Beltrame (o ex-secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame) fez um bom trabalho em estabelecer a UPP policial. E o governo do Rio falhou consistentemente em investir em uma UPP social. Esse era o combinado, com as UPPs você teria a polícia nas favelas e a partir daí incrementaria o investimento social nas comunidades.

Mas esse investimento social nunca aconteceu, e isso levou o Estado a perder ainda mais credibilidade nas favelas. Atualmente o governo do Estado, do (governador Luiz Fernando) Pezão, do (secretário de Segurança) Roberto Sá não tem qualquer credibilidade dentro das favelas, porque as UPPs já não existem mais, a não ser no nome.

BBC Brasil - Essa crise é o pano de fundo para o confronto que estamos vendo na Rocinha?

Glenny - Há dois panos de fundo que precisam ser considerados. O primeiro é a instabilidade nas relações entre o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando Puro (TCP) e a Amigos dos Amigos (as três maiores facções criminosas do Rio), e o papel que o Primeiro Comando da Capital (o PCC, fundado em São Paulo) vem desempenhando no Estado.

O PCC está envolvido nessa luta entre as facções, fornecendo armamentos à ADA e ao TCP. Você deve lembrar as rebeliões que explodiram nas prisões neste ano, incluindo decapitações. Foram fruto de uma disputa entre o PCC e o Comando Vermelho. E uma das formas de o PCC atingir o CV é fortalecendo seus inimigos, fornecendo armas para suas facções rivais no Rio.

O outro contexto importante é o colapso absoluto das UPPs. É aqui que vemos o verdadeiro impacto da falência efetiva do Estado do Rio. Não há recursos para segurança, e a ajuda federal, com o envio do Exército para o Rio, não teve qualquer impacto na redução da criminalidade. A comunicação entre as lideranças militares e as polícias do Rio é atroz. Não há uma estratégia de segurança integrada.

O Rio enfrenta uma crise econômica e política severa, há enorme tensão em Brasília com a Lava Jato, há o escândalo da JBS, há tudo isso ao mesmo tempo. Estamos vendo uma guerra de facções irromper, que considero ainda pequena - mas as instâncias estaduais e federais são incapazes de lidar com ela.

Danúbia Rangel posa para fotoImage captionSegundo britânico, na Rocinha Danúbia é vista como forasteira | Foto: Reprodução/Facebook

Tradicionalmente, e particularmente desde que o Nem passou a chefiar a favela em 2005, a Rocinha tem níveis de criminalidade e homicídio muito mais baixos que outras favelas. Se as coisas estão ruins na Rocinha, você sabe que a situação é grave.

BBC Brasil - No ano passado, quando você esteve na Flip, você considerou que o Rio não teria problemas de segurança até as Olimpíadas, mas depois disso a coisa tendia a piorar.

Glenny - A Olimpíada foi um buraco negro de atividades corruptas. Quando a Copa e a Olimpíada passaram, ficou evidente que o Brasil tinha navegado nos preços altos das commodities sem fazer melhorias estruturais à economia e ao sistema político. Então a Olimpíada pôde ser vista pelo que foi: uma brincadeira muito danosa à cidade do Rio de Janeiro.

A UPP foi introduzida em parte para mostrar para o mundo lá fora que o Rio seria uma sede segura para os jogos. E muitos diziam que quando a atenção internacional se desviasse, a situação se deterioraria rapidamente. E é isso que estamos vendo.

BBC Brasil - Você vê alguma saída para o problema?

Glenny - No momento, temos a atuação do Exército no Rio, mas isso não resolve o problema. A solução é colocar as finanças do Rio nos trilhos e adotar políticas sérias - na verdade, acho que o Brasil precisa considerar seriamente a descriminalização e legalização da posse de drogas por uso pessoal, seguindo o exemplo de outros países do continente americano.

Isso não vai resolver o problema do varejo de drogas, mas vai tirar uma quantidade enorme de pressão de cima da polícia, em um momento em que a polícia precisa de apoio, dada a instabilidade da situação.

BBC Brasil - Depois de passar tanto tempo fazendo pesquisa na Rocinha, como você se sentiu ao ver as imagens dos conflitos nos últimos dias?

Glenny - Não fiquei surpreso. Mas fiquei muito entristecido. E apreensivo por estar longe. Gostaria de estar lá para acompanhar melhor o que está acontecendo e tentar comunicá-lo para o resto do mundo, porque não tem a atenção que merece.

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Historiador diz ter decifrado um dos manuscritos mais misteriosos do mundo - mas alguns não se dão por satisfeitos

Textos que parecem mensagens cifradas, desenhos de mulheres nuas em banheiras com líquido verde, símbolos do zodíaco e desenhos de plantas e criaturas estranhas. Não é de se estranhar que estes e outros elementos, parte do conteúdo do Manuscrito Voynich - um livro ilustrado datado do período entre os séculos 15 e 16 e encontrado em 1912 pelo comerciante Wilfrid Voynich, que batiza o objeto - tenham intrigado especialistas e leigos há décadas sobre sua origem e função.

Com tamanho pequeno, 240 páginas ilustradas e uma capa de couro desgastada, o livro já foi chamado de "o manuscrito mais misterioso do mundo", de obra de extraterrestres e até de "uma farsa" fabricada por Wilfrid Voynich.

Mas no início deste mês, o historiador britânico Nicholas Gibbs diz ter chegado à resolução de tamanho e duradouro mistério. E, segundo seu artigo publicado na prestigiada revista britânica The Times Literary Supplement, a resposta é simples: o livro tinha como objetivo aconselhar sobre a saúde - principalmente a das mulheres - e é uma amostra da medicina medieval de seu tempo.

Em seu texto na The Times Literary Supplement, que ganhou o título "Manuscrito Voynich: A solução", Gibbs diz que o objeto é "um livro de referências de remédios retiradas dos tratamentos padrão do período medieval, um manual de instruções para a saúde e o bem-estar para as mulheres mais abastadas da sociedade, e que muito possivelmente foi escrito para uma única pessoa".

Latim

Se por muito tempo acreditou-se que as estranhas palavras do livro eram criptografadas, Gibbs apresenta uma explicação alternativa: elas seriam abreviações de termos do latim. Mais especificamente, seriam ligaduras tipográficas - o nome que se dá à grafia que une duas ou mais letras em um único símbolo (como Æ e &, neste caso uma união das letras "E" e "T"). Este recurso era muito utilizado na Idade Média como forma de economizar espaço e trabalho pelos escribas de então.

"Como alguém com uma longa experiência na interpretação de inscrições em latim em monumentos clássicos, nas tumbas e em chapas metálicas de igrejas inglesas, reconheci no Manuscrito Voynich sinais reveladores de um formato abreviado de latim", escreveu Gibbs.

Os trechos que Gibbs diz ter decodificadoImage captionImagem que acompanha o artigo de Gibbs mostra dois trechos que o historiador diz ter decodificado; segundo ele, ligaduras abreviam palavras em latim | Imagem: Reprodução/ The Times Literary Supplement

Consultando o Léxico Abbreviaturarum de Latim Medieval (1899), de Adriano Cappelli, o historiador diz ter reconhecido no manuscrito pelo menos duas ligaduras, "Eius" e "Etiam". Diversas abreviações corresponderiam a palavras-padrão relacionadas a plantas e infusões, como aq=aqua (água), con=confundo (mistura), ris=radacis/radix (raíz). "Então, o herbário do Manuscrito Voynich deve, portanto, ser uma série de ingredientes 'simples' com as medidas necessárias".

O artigo publicado na The Times Literary Supplement traz uma imagem com duas linhas codificadas com palavras como estas.

Segundo o pesquisador, era comum que livros de referência semelhantes ao manuscrito viessem acompanhados de um índice com abreviações e os nomes correspondentes de doenças, sintomas, nomes de plantas, entre outros. Para Gibbs, porém, o que seria o índice do Manuscrito Voynich está desaparecido.

Medicina medieval

O historiador relaciona também o manuscrito a outros contextos da Idade Média, como as práticas de banho - tema bastante presente nas ilustrações do manuscrito. "Me pareceu lógico olhar para os hábitos de banho do período medieval. Ficou logo bastante óbvio que eu havia entrado na seara da medicina medieval", diz o texto de Gibbs.

Segundo o pesquisador, ilustrações de plantas, símbolos do zodíaco e diagramas eram comuns quando o tema era saúde nesta época - quando precursores clássicos da medicina como Galeno, Hipócrates e Sorano de Eféso eram reverenciados. O uso dos banhos como tratamentos era uma longa tradição, praticada por gregos e romanos e continuada na Idade Média.

Uma ilustração de mulheres se banhando do Manuscrito de VoynichImage captionManuscrito medieval tem intrigado especialistas e leigo desde sua descoberta, em 1912 | Imagem: Beinecke Library

"O tema central do Manuscrito Voynich é apenas uma dessas atividades, e uma de suas principais características é a presença de figuras femininas nuas imersas em algum tipo de mistura. A medicina clássica e medieval tinha divisões separadas dedicadas às queixas e doenças das mulheres, principalmente, mas não exclusivamente na área de ginecologia", escreveu o historiador no artigo.

Gibbs identificou também referências, em conteúdo e em ilustrações, a dois guias amplamente disseminados pela Europa no período medieval: o Trotula, um tratado ginecológico, e o De Balneis Puteolanis, que versava sobre os benefícios dos banhos com infusões.

Críticas

A solução dada por Gibbs, porém, não resolveu a incógnita para muitos outros especialistas. Em blogs, em fóruns e no Twitter, a publicação foi bastante criticada - em geral, acusada de não ter apresentado bases suficientes para os argumentos.

"E lá vamos nós de novo. Eu já revisei dezenas de 'soluções', e essa é tão pouco convicente quanto as últimas 3 mil", escreveu no Twitter Lisa Fagin Davis, diretora da Academia Medieval dos Estados Unidos.

Já René Zandbergen, engenheiro que administra um site sobre o manuscrito, o artigo de Gibbs foi desproporcional: um texto muito grande com apenas duas linhas do livro medieval decodificadas. "O resumo no Times Literary Supplement é realmente muito curto para fornecer qualquer análise séria", disse Zandbergen à revista The Atlantic.

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Menina de 13 anos salva oito vidas com doação recorde de órgãos no Reino Unido

A doação de órgãos da menina Jemima Layzell, de 13 anos, estabeleceu um novo recorde na Inglaterra, segundo autoridades do país: foram salvas oito vidas, incluindo as de cinco crianças.

Jemima, de Somerset (Reino Unido), morreu em 2012 de um aneurisma cerebral, mas sua contribuição só foi revelada nesta semana pelo sistema de saúde britânico, o NHS.

Graças à permissão dos pais da criança, foram doados o coração, o pâncreas, os pulmões, os rins, o intestino delgado e o fígado de Jemima.

Os pais se lembram dela como uma menina inteligente, caridosa e criativa. "Temos certeza de que ela ficaria muito orgulhosa do seu legado", disseram.

O Departamento de Sangue e Transplantes do NHS assegurou que nenhum outro doador havia ajudado tanta gente antes.

Jemima sofreu um desmaio enquanto ajudava a organizar a festa de aniversário de 38 anos da mãe.

Quatro dias depois, ela morreu no Hospital Infantil de Bristol, na Inglaterra.

Jemima Layzell e sua irmã AmeliaImage captionFamília de Jemima (à dir.) criou fundação em seu nome para promover doação de órgãos (Crédito: Arquivo da família Layzell)

O coração, o intestino delgado e o pâncreas foram transplantados para três pessoas diferentes, enquanto outras duas pessoas receberam os rins.

Seu fígado foi dividido em dois e transplantado para outras duas pessoas, e seus dois pulmões foram para o mesmo paciente.

Normalmente, uma doação pode alcançar até 2,6 transplantes - portanto, o número de oito vidas salvas é muito incomum.

'Especial e única'

A mãe de Jemima, Sophy Layzell, que é professora de teatro, e seu pai, Harvey Layzell, diretor de uma empresa de construção civil, disseram que sabiam que a garota queria ser doadora porque conversaram com ela sobre o assunto algumas semanas antes de sua morte.

O tema surgiu depois que um conhecido da família morreu em um acidente.

"A pessoa que morreu estava registrada como doadora, mas devido às circunstâncias de sua morte, seus órgãos não puderam ser usados", lembrou Sophy.

"Jemima nunca tinha ouvido falar de doação de órgãos antes e achou isso estranho, mas entendeu o quão importante isso era", acrescentou.

A mãe confessa que a decisão de doar os órgãos da filha foi difícil, mas era a escolha correta.

"Todo mundo quer que seu filho seja especial e único, e isso, entre muitas outras coisas, nos faz sentir muito orgulhosos dela", disse a mãe.

"Pouco depois da morte de Jemima, vimos um programa de TV sobre crianças à espera de um transplante de coração", lembrou.

Imagens dos neurônios durante um aneurismaImage captionAneurisma cerebral pode levar à morte ou a sérias sequelas (Crédito: Getty)

"Isso nos fez perceber que dizer 'não' seria negar a outras oito pessoas a chance para a vida, especialmente no que diz respeito ao coração de Jemima, o qual Harvey se sentiu desconfortável de doar naquele momento. Mas depois do programa, soubemos que era a decisão correta", concluiu.

Os pais de Jemima dizem acreditar ser muito importante conversar com as crianças sobre a doação de órgãos.

Com a irmã de Jemima, Amelia, de 17 anos, eles coordenam hoje a ONG The Jemima Layzell Trust, que ajuda jovens com danos cerebrais e também promove a doação de órgãos.

"O instinto de qualquer pai é dizer não, estamos programados para proteger nosso filho. Mas foi nossa conversa prévia com Jemima que nos permitiu dizer sim", disse o casal.

O que é um aneurisma cerebral?

Um aneurisma é um nódulo em um vaso sanguíneo, causado pela fragilidade em uma das paredes.

Esse nódulo pode se desenvolver em qualquer parte do corpo, mas é mais comum no cérebro e ao redor do coração.

No caso do cérebro, se essa protuberância dos vasos sanguíneos explode, o sangramento causa graves danos ao cérebro - e normalmente leva à morte ou a graves sequelas.

Geralmente, não há sinais prévios do problema antes da ruptura do aneurisma.

Ainda não são claros os motivos para que surjam aneurismas em crianças, ainda que esse problema de saúde seja raro entre elas.

As mãos de um adulto e de uma criança seguram a figura de um coraçãoImage captionPais de Jemima defendem conversa sobre doação de órgãos com crianças (Crédito: Getty)

BBC

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Vulcano, o planeta procurado por mais de meio século e que Einstein 'expulsou' do céu

Por mais de meio século, cálculos de renomados cientistas apontaram para a existência de um planeta na órbita entre Mercúrio e o Sol - que jamais foi localizado.

Apesar de até ter recebido um nome - Vulcano -, o "planeta escondido" permaneceu sendo um dos mais desconcertantes fenômenos do Sistema Solar. Procurado por 56 anos, tornou-se um planeta hipotético, até que o físico alemão Albert Einstein o "expulsou" do céu com sua Teoria da Relatividade.

"É um planeta, ou se preferir, um grupo de planetas menores que circulam na proximidade da órbita de Mercúrio", propôs em 1859 Urbain Joseph Le Verrier, o mais famoso astrônomo do mundo à época e diretor do Observatório de Paris. Ele dizia que só um planeta "seria capaz de produzir a perturbação anômala sentida por Mercúrio".

Le Verrier não foi o primeiro a suspeitar da presença do planeta escondido. Anos antes, em 1846, um diagrama do Sistema Solar elaborado para escolas e academias já indicava a presença de Vulcano. Ele constava numa litografia feita por E. Jones & G.W. Newman, de Nova York, nos EUA.

Mas foi a sólida reputação de Le Verrier que deu peso à hipótese sobre a existência de Vulcano.

Diagrama do Sistema Solar elaborado para escolas e academias que incluiu VulcanoImage captionLitografia feita por E. Jones & G.W. Newman em 1846 já exibia Vulcano na reprodução do Sistema Solar. Crédito: Biblioteca do Congresso dos EUA

O mais distante do Sol

Treze anos antes de indicar a existência de Vulcano, La Verrier já havia apresentado à academia francesa a proposta de que um planeta perturbava a órbita de Urano.

Enviou uma carta a Johann Galle, do Observatório de Berlim, que, ao recebê-la, em 23 de setembro de 1846, imediatamente se dedicou a encontrar o planeta até então desconhecido. Era Netuno.

La Vierrier apontou para sua existência através de cálculos matemáticos.

Assim como Mercúrio, Urano também mostrava uma pequena discrepância em sua órbita que não podia ser explicada pela força da gravidade dos outros planetas e do Sol.

No entanto, a partir da lei da gravitação universal - formulada por Isaac Newton em 1687 - e supondo a presença e o movimento de um corpo celestial mais distante do que Urano, La Vierrier conseguiu não só descobrir um novo planeta como também se consagrou na posição de "astro" da ciência.

NetunoDireito de imagemGETTY IMAGESImage captionLe Verrier era matemático e anuniciou a descoberta de Netuno apenas com cálculos

Para resolver a incógnita de Mercúrio, cujo periélio (o ponto em que um planeta se encontra mais próximo do Sol) parecia mudar ligeiramente a cada órbita, Le Verrier seguiu o mesmo método usado anteriormente.

Ao calcular a influência da atração gravitacional de Vênus, Terra, Marte e Júpiter, suas previsões sobre a órbita de Mercúrio pareciam estar sempre ligeiramente erradas.

Mercúrio nunca estava onde indicavam as projeções, baseadas nos conhecimentos da época. A solução para o enigma deveria ser, como aconteceu no caso de Urano, a presença de um outro planeta, no caso, Vulcano.

Só faltava encontrá-lo para provar sua existência.

Perto do Sol

Um passo promissor veio quando Edmond Modeste Lescarbault, um médico aficionado por astronomia, observou com seu telescópio um ponto preto que passava diante do Sol. Ele anotou o tamanho, velocidade e duração do deslocamento.

Vulcano, deus romanoDireito de imagemWELLCOME IMAGESImage captionVulcano, nome dado ao planeta hipotético, é o deus romano do fogo (Crédito: WELLCOME IMAGES)

Meses depois, após ler sobre o hipotético planeta de Le Verrier, enviou-lhe uma carta com todos os detalhes. O famoso astrônomo foi visitá-lo, verificou o equipamento e as notas do médico e anunciou com entusiasmo a descoberta de Vulcano, no início da década de 1860.

No entanto, ainda era necessária a confirmação de um especialista independente - e o novo planeta era extremamente difícil de detectar.

Vulcano parecia ser um dos últimos enigmas do Sistema Solar e tornou-se um dos corpos celestes mais procurados da astronomia.

Ao longo dos anos, astrônomos - profissionais e amadores - anunciaram ter avistado Vulcano. Mas a existência do planeta foi confirmada e negada várias vezes. A mídia divulgou a notícia de sua presença mais de uma vez e a especulação persistiu até o século 20.

Mais precisamente até novembro de 1915.

A busca por Vulcano teve seu fim na Academia Prussiana de Ciências quando Albert Einstein bagunçou a visão corrente sobre o Universo com sua Teoria da Relatividade.

Ilustração do Pequeno PríncipeDireito de imagemGETTY IMAGESImage captionEinstein usou a teoria a Relatividade Geral para explicar o que acontecia na órbita de Mercúrio

Pouco antes de apresentar a teoria, Einstein usou-a para explicar a discrepância na órbita de Mercúrio.

"Einstein não só disse: meus cálculos são melhores. Ele disse: 'Precisam mudar completamente a ideia que têm das características da realidade", explicou, à revista National Geographic, Thomas Levenson, professor do MIT, nos EUA, e autor do livro The Hunt for Vulcan (A Calçada por Vulcano, sem tradução em português).

O cerne da Teoria da Relatividade de Einstein é que o espaço e o tempo não são estáticos. Para justificar quão peculiar é a órbita de Mercúrio, Einstein argumenta que um objeto maciço, no caso o Sol, foi capaz de dobrar o espaço e o tempo e ainda alterar o caminho da luz, de modo que um raio, quando passa próximo ao Sol, viaja por um caminho curvo.

Com seus cálculos, Einstein demonstrou que a relatividade geral predizia a diferença observada no periélio mercuriano.

"Negar a existência de Vulcano foi central para Einstein, porque mostrou que essa ideia estranha e radicalmente nova dele de que espaço e tempo fluem é realmente o caminho certo para ver o Universo", disse Levenson.

Mercúrio, de acordo com a teoria de Einstein, não estava tendo a órbita alterada por nenhum outro objeto. Simplesmente, ele se moveu por um espaço-tempo distorcido.

Assim, "Vulcano foi expulso do céu astronômico para sempre", escreveu o autor Isaac Asimov em seu ensaio científico O Planeta Que Não Era, de 1975.

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Cientistas americanos desenvolvem injeção única que pode reunir todas as vacinas infantis

Um dos primeiros "presentes" de quase toda criança é uma carteira de vacinação a ser preenchida com cada uma das doses que ela precisa tomar para poder se proteger de doenças.

Mas uma tecnologia que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos pode mudar um pouco essa realidade. A ideia é criar uma só dose que valesse por todas - uma única injeção que daria às crianças todas as imunizações de uma vez.

Essa dose única armazenaria as vacinas em cápsulas microscópicas, que seriam liberadas aos poucos em tempos específicos.

A técnica começou a ser aplicada em estudos com camundongos e foi divulgada na publicação científica Science. Cientistas afirmam que a tecnologia poderia ajudar pacientes em todo o mundo.

Micropartículas

A imunização de crianças hoje é feita em muitas doses, tomadas desde as primeiras semanas de vida.

Para tentar mudar isso, a equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) desenvolveu um novo tipo de micropartícula que permitiria combinar todas as vacinas em uma única dose.

As partículas são como copos em miniatura preenchidos com as vacinas e depois fechados com uma tampa. A ideia é que o design desses "recipientes" permita que cada um se quebre no momento certo, liberando o conteúdo no corpo.

Criança sendo vacinadaDireito de imagemGETTY IMAGESImage captionIdeia é transformar compelamente a vacinação

Os testes mostraram que essa liberação pode ocorrer no tempo exato de nove, 20 e 41 dias depois que a vacina foi injetada em camundongos.

Outras partículas que poderiam durar por centenas de dias também foram desenvolvidas, mas ainda não foram testadas.

Impacto significativo

Para um dos cientistas que faz parte do estudo, a descoberta pode ter um impacto "significativo".

"Nós estamos muito animados com esse trabalho. Pela primeira vez, nós podemos criar uma 'biblioteca' de pequenas partículas de vacina fechadas em uma cápsula, cada uma programada para ser liberada num tempo exato, para que as pessoas um dia possam receber uma única injeção que, na verdade, teria diversas vacinas dentro dela", disse Robert Langer, do MIT.

"Isso pode ter um impacto significativo em pacientes de todos os lugares, especialmente nos dos países em desenvolvimento", afirmou.

A ideia é que as liberações curtas e precisas da vacina imitem o procedimento normal de imunização.

"No mundo em desenvolvimento, essa pode ser a diferença entre não se vacinar e receber todas as suas vacinas de uma só vez", explica a pesquisador Kevin McHugh.

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Polícia da Tanzânia realiza prisão em massa de pessoas acusadas de serem homossexuais

Vinte pessoas foram presas neste sábado no arquipélago de Zanzibar, região semi-autônoma sob controle do governo da Tanzânia. Os presos são acusados de serem homossexuais, o que é crime no país. A informação é da polícia local.

Ao todo, 12 mulheres e oito homens foram presos. Eles estavam em um hotel, onde participavam de um treinamento sobre a prevenção ao HIV/Aids.

No começo do ano, o governo da Tanzânia proibiu que clínicas privadas oferecessem tratamento para o HIV/Aids. A alegação era de que o serviço encorajava o sexo gay.

O sexo gay entre homens é punido com até 30 anos de cadeia no país.

"Eles estão envolvidos em práticas homossexuais. Nós os prendemos e estamos ocupados interrogando-os neste momento. A polícia não pode fazer vista grossa para esta prática", disse ontem à TV estatal do país o chefe da polícia local, Hassan Ali Nasri.

Na última sexta-feira, um dirigente do Ministério da Saúde local prometeu ao Congresso do país "lutar com todas as nossas forças contra os grupos que promovem a homossexualidade", segundo a agência AFP.

Mapa mostrando países onde há leis contra homossexuaisImage captionOs países em azul são aqueles onde há algum tipo de lei contra homossexuais

Em julho de 2016, o governo também baniu a importação e as vendas de lubrificantes sexuais. O ministro da Saúde disse à época que este tipo de produto encorajava a prática homossexual e, portanto, disseminava o vírus do HIV.

Apesar da proibição, a população da Tanzânia era uma das mais tolerantes com a homossexualidade até recentemente. Isto começou a mudar quando o governo assumiu um discurso anti-gay mais radical, dizem correspondentes estrangeiros no país.

 

BBC

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Em seu último mês, Janot apresentou mais denúncias da Lava Jato que em todo o ano de 2017

Em sua última sexta-feira como procurador-geral da República, Rodrigo Janot recebeu um presente inusitado. A procuradora Livia Tinoco, de Sergipe, entregou a ele um arco-e-flecha produzido por indígenas do Estado.

O instrumento se tornou símbolo do trabalho de Janot no comando do Ministério Público desde que, em julho, durante uma entrevista em um congresso para jornalistas, ele definiu estoicamente seu ofício. "Enquanto tiver bambu, lá vai flecha", disse, em referência às denúncias contra políticos no âmbito da Lava-Jato.

O flecheiro Janot calibrou a artilharia especialmente no fim da gestão. Levantamento da BBC Brasil mostra que o procurador-geral se dedicou a limpar a gaveta nos últimos 30 dias: foram sete denúncias da Lava Jato no período, contra apenas quatro no resto do ano de 2017.

Desde que a investigação chegou ao STF, Janot apresentou 35 denúncias contra políticos, incluindo duas que tiveram como alvo o presidente da República, Michel Temer (PMDB). O levantamento considera apenas as denúncias relacionadas à Operação Lava Jato.

"Até 17 de setembro, a caneta está na minha mão. No dia 18 não está mais. Ainda bem. Vou continuar neste ritmo que estou", disse Janot em julho, poucos dias depois de Temer escolher a procuradora Raquel Dodge para sucedê-lo no posto. Dodge foi a segunda colocada da lista de três nomes eleita pelos integrantes do MPF, em uma consulta da Associação Nacional dos Procuradores da república (ANPR).

Procuradora entrega arco e flecha ao procurador-geral Rodrigo JanotImage captionO presente foi uma iniciativa de indígenas de Sergipe, que pediram que a peça chegasse a Janot | foto: PGR / Divulgação

A decisão de Temer quebrou uma tradição estabelecida no primeiro governo Lula e mantida desde então: tanto o petista quanto sua sucessora indicaram ao cargo o preferido entre os pares. Ao optar por Dodge, o governo gerou especulações de que ela pudesse, de alguma maneira, aliviar em relação aos políticos. A procuradora, que pertence a um grupo distinto ao do antecessor no MPF, nega que tomará qualquer medida nesse sentido.

Ela tomará posse no comando do Ministério Público nesta segunda-feira. Se Dodge mantiver o ritmo imposto pelo antecessor, o ano de 2017 será o mais produtivo da Lava Jato no órgão desde o início das investigações. Já são 11 denúncias este ano, contra 12 ao longo de 2016 e oito, em 2015. O levantamento da BBC considera as datas de 31 das 35 denúncias, já que algumas delas permanecem sob sigilo.

Temer e mais 80

A hiperatividade de Janot no fim de seu mandato sugere, no entanto, que ele não quis deixar à sucessora decisões sobre parte importante das investigações. Em seus últimos dias no cargo, Janot mirou a cúpula de três dos quatro maiores partidos do país. A narrrativa vinha sendo alinhavada pelo procurador desde o começo da Lava Jato: PT, PMDB e PP seriam os "sócios majoritários" do esquema criminoso montado junto com empresas para superfaturar obras públicas e cobrar propinas.

Ao todo, mais de 80 pessoas são investigadas nos inquéritos que deram origem às denúncias dos últimos 30 dias. A maioria é de nomes da "Série A" da política brasileira. Ao denunciar as cúpulas dos três partidos acima, Janot vai para casa tendo concluído a primeira (e talvez a principal) linha de investigação da Lava Jato.

Os primeiros a serem denunciados foram os integrantes do PP. Trata-se de um dos inquéritos mais antigos da Lava Jato no STF, criado ainda no começo de 2015, e um dos que tem mais investigados. A apuração sobre o PP começou ainda com o doleiro Alberto Youssef, que disse ter trabalhado como operador da distribuição de propinas cobradas pelo ex-deputado José Janene (1955-2010). O partido nega irregularidades.

Michel TemerDireito de imagemGETTY IMAGESImage captionMichel Temer e mais 6 pessoas foram denunciadas como integrantes de uma organização criminosa

Em seguida, foi a vez dos petistas: Lula, Dilma Rousseff, a atual presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e mais cinco pessoas foram acusadas de corrupção e de formação de quadrilha. Só nesta denúncia, Janot acusa o partido de ter desviado R$ 1,48 bilhão. Lula, Dilma, Gleisi e o PT não admitem qualquer malfeito.

Por fim, a PGR apresentou duas denúncias separadas para o PMDB: uma dedicada aos senadores do partido, e outra aos deputados. Na primeira, o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o ex-presidente da República José Sarney e mais cinco pessoas foram acusadas de desviar R$ 5,5 bilhões.

Na última quinta, Michel Temer e mais 6 pessoas foram denunciadas como integrantes de uma organização criminosa, que Janot apelidou de "PMDB da Câmara". O presidente qualificou a denúncia como uma peça de "realismo fantástisco". Os demais peemedebistas igualmente negam ter cometido os crimes apontados por Janot.

As quatro denúncias têm origem em um único inquérito, que era o principal sobre a Lava Jato no STF.

A tarefa de Dodge: 72 investigações da Odebrecht

Ao deixar a PGR, Janot terá aumentado muito o poder do cargo que ocupou desde o dia 17 de setembro de 2013, quatro anos atrás. Foi o responsável por todas as ações da PGR na Lava Jato até aqui.

A possibilidade de sofrer retaliações de políticos que denunciou fizeram com que Janot reconsiderasse a decisão de se aposentar. Ele manterá o posto de subprocurador da República, com direito a foro privilegiado no Superio Tribunal de Justiça, por mais algum tempo.

Mas há pelo menos um passivo importante que ele deixará para a sucessora: dos 74 inquéritos abertos no STF em decorrência da delação da Odebrecht, 72 ainda estão em aberto. A delação da Odebrecht se tornou pública no dia 11 de abril. Foi homologada (isto é, aceita pelo STF) em janeiro.

Rodrigo JanotDireito de imagemREUTERSImage captionRodrigo Janot foi o responsável por todas as ações da PGR na Lava Jato até aqui

De lá para cá, a PGR ofereceu apenas uma denúncia: contra o senador Romero Jucá (PMDB-RR), por ser suposto destinatário de R$150 mil em propina da empreiteira, acusação que ele nega. Um outro inquérito, cujo alvo era o deputado federal José Reinaldo (PSB-MA), foi arquivado. Todo o restante ficará nas mãos de Raquel Dodge.

Na maioria dos inquéritos, a Polícia Federal nem mesmo concluiu as investigações, o que impede a apresentação de denúncias. Pelo menos por enquanto.

BBC

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As principais revelações da sonda Cassini antes de 'missão suicida' na atmosfera de Saturno

Lançada em 1997, a sonda Cassini passou 13 anos explorando o sistema de Saturno.

Mas, nesta sexta-feira, a espaçonave foi desintegrada ao mergulhar, em altíssima velocidade, na atmosfera de Saturno. Segundo a Nasa, a agência espacial americana, o objetivo da destruição foi evitar que ela contaminasse as luas de Titã e Enceladus, que podem abrigar vida.

Assim, a nave se desmaterializou e fez parte do planeta que tem estudado desde 2004.

Confira uma seleção das principais descobertas da sonda:

Gêiseres

TitãImage captionTitã, a maior lua de Saturno. Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Imagens enviadas de volta das missões dos anos 1980 da sonda Voyager mostraram que Enceladus, a lua de Saturno, de 500 km de diâmetro, tinha uma superfície muito suave e, portanto, relativamente jovem. Poderia ter sido renovada por algum processo desconhecido. Mas foi Cassini que descobriu os gêiseres de água congelada despontando no polo sul da pequena lua.

A água é jorrada em uma velocidade de 1,3 mil km por hora através de orifícios que estão conectados a um oceano salgado abaixo da cobertura de gelo. A água é considerada um ingrediente essencial para a vida como a conhecemos, o que faz de Enceladus um alvo na busca de uma biologia alienígena.

Além disso, ao sobrevoar sobre os jatos de água e "provando-os" com um aparelho a bordo da aeronave, Cassini pôde detectar a presença de grãos rochosos, metano e hidrogênio molecular.

A explicação mais provável para essas descobertas é a presença de aberturas para fluidos no fundo do mar. Na Terra, esses orifícios hidrotermais que jorram água superaquecida proveniente de um local abaixo do solo oceânico são cheios de vida.

A Enceladus revelou que habitats capazes de abrigar vida podem ser mais comuns do que pensávamos, colocando nossa própria existência em perspectiva.


Pousando em Titã

Ilustração artística do pouso da sonda HuygensImage captionIlustração artística do pouso da sonda Huygens Foto: ESA-C. Carreau

Em 14 de janeiro de 2005, a sonda europeia Huygens desceu até a densa atmosfera da maior lua de Saturno, Titã.

Huygens chegou ao ponto mais alto da atmosfera (uma altitude de 1.270 km) e sobreviveu à entrada hipersônica, usando um paraquedas para flutuar em direção ao solo, coletando dados por duas horas e 27 minutos.

Usando seus instrumentos de bordo, Huygens enviou fotos e fez uma descrição da atmosfera de Titã, incluindo dados como temperatura, pressão, densidade e composição.

"Havia uma camada atmosférica na qual os ventos iam de velocidades como 60 ou 70 km até zero, aumentando logo depois", disse o cientista do projeto Huygens Jean-Pierre Lebreton. "Isso ainda não foi propriamente explicado".

A sonda enviou dados da superfície por outros 90 minutos até que Cassini - que estava enviando os dados à Terra - desapareceu no horizonte, interrompendo as comunicações. Até hoje, é a maior distância da Terra em que uma espaçonave enviada já pousou.

As descobertas da Huygens foi que fizeram a Nasa temer a possibilidade de contaminação em Saturno e, anos mais tarde, decidir pelo "suicídio" da Cassini.


Lua igual, mas diferente

CassiniDireito de imagemEMPICSImage captionCassini durante missão de Saturno. Foto: EPA

Cassini e Huygens mostraram Titã como uma versão da Terra "através do espelho". A temperatura de sua superfície de -179 graus Celsius implica que os hidrocarbonetos desempenham muitos papéis que a água tem no nosso planeta. Titã tem um ciclo de estações, com ventos, chuva de metano e mares, montanhas de gelo e dunas de areias de "plástico".

Três mares escuros de metano estão no pólo norte de Titã - sendo que o maior deles, o mar Kraken, é maior que o Lago Superior da América do Norte. Ao redor desses mares, há numerosas extensões de líquidos.

A Cassini registrou pequenas ondas na superfície de um mar e uma característica misteriosa em outro que foi apelidado de "ilha mágica". Icebergs, ondas e bolhas de gás saindo do solo oceânico são possíveis explicações para esse último fenômeno.

Titã também tinha uma química extraordinariamente complexa e orgânica em sua atmosfera. De fato, alguns cientistas acreditam que pode ser uma semelhante com a atmosfera que nutriu a vida na Terra antigamente - oferecendo um vislumbre sobre nosso próprio passado primordial.

A Enceladus não é a única lua com um oceano - Titã também tem uma extensão de líquido embaixo de sua superfície. Mas esse oceano provavelmente é composto de água misturada com amônia.


Anéis dinâmicos

Anéis de SaturnoDireito de imagemNASA JPLImage captionAnéis oferecem obersvações sobre a formação de planetas

Cassini revelou que o sistema de anéis de Saturno é um ambiente ativo e dinâmico. Aliás, os anéis são um laboratório para a forma como planetas se formam ao redor de estrelas jovens. Cientistas pensam que a forma como luas inseridas ali fazem "vãos" pode ser semelhante à maneira como corpos maiores formaram o disco de poeira e gás que orbitou o sol bilhões de anos atrás.

A trajetória da sonda Cassini, do voo de reconhecimento até seu Image captionA trajetória da sonda Cassini, do voo de reconhecimento até seu "grand finale"

A Cassini observou estruturas previamente desconhecidas nos anéis e testemunhou o possível nascimento de uma jovem lua. Dados da missão podem finalmente começar a responder um dos maiores mistérios sobre Saturno - como e quando os anéis se formaram.

Em 2017, pouco antes do fim da missão, cientistas anunciaram descobertas preliminares sugerindo que eles eram relativamente jovens - talvez 100 milhões de anos de idade. Isso pode indicar que estamos apenas vivendo em um momento especial da história em que Saturno tem anéis.


Força de tempestade

HexágonoDireito de imagemNASA/JPL-CALTECH/SSIImage captionO "hexágono" - uma corrente de ar no pólo norte de Saturno

A espaçonave da Nasa observou tempestades gigantes em ambos os pólos de Saturno. Para dar uma noção de perspectiva, o olho de um furacão no norte de Saturno tinha uma largura de 2 mil quilômetros. Isso é 50 vezes maior que um furacão médio na Terra. As velocidades dos ventos lá pode chegar a 504km por hora.

O olho da tempestade do pólo norte se movimenta em redemoinhos com uma corrente de "ar" com seis lados. Ninguém tem muita certeza sobre como essa corrente hexagonal de ar é formada - algo deste tipo jamais foi visto em outro planeta.

No entanto, usando simulações de computador, cientistas conseguiram mostrar como essas características podem ser formadas a partir da interação de diferentes correntes de ar. Diferentemente de furacões na Terra, que geralmente duram dias, essa tempestade existe por no mínimo décadas, talvez séculos.

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