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ORGÂNICO NÃO É MODA: É UM NOVO CONCEITO DE ECOLOGIA

A relação do homem com a terra vem desde os primórdios da civilização.  A expansão demográfica, o surgimento de milhares de bocas para alimentar, forçou a ciência é introduzir práticas que oferecem riscos à natureza e principalmente aos seres humanos, que consomem toda sorte de produtos “contaminados” por defensivos agrícolas e outros produtos químicos, utilizados para aumentar a produção.

Diante desta situação, surgem os transgênicos, os frangos com excesso de hormônios, os suínos presos para engorda e o boi confinado para a produção de picanha maturada. Nada disso, pode ser considerado um erro, mas uma alternativa necessária para suprir a necessidade da população mundial que cresce sistematicamente, sem nenhum controle.

Ao longo da minha vida dedicada ao ambientalismo e à proteção da natureza, deparei-me com dois pensamentos extraordinários sobre a questão da sobrevivência da terra. Um deles do catastrofista James Lovelock, cientista inglês que desenvolveu a teoria de Gaia (Terra), quando disse: “A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervoso". Para ele nós somos os vermes que estamos consumindo tudo, colocando a terra enferma.

O outro pensamento é da Primeira Ministra da Índia, que disse nos anos 70 que “a pobreza é a pior forma de poluição, com traduções simultâneas para “a maior degradação ambiental é a miséria humana”“. Pensa-se desta forma que a falta de comida obrigada o ser humano a cometer atrocidades contra a natureza com caça predatória, desmatamento para fazer carvão e outras ações maléficas. Daí precisar que se promovam políticas públicas para que isso seja evitado.

Começaram anos 1980, a disseminação da permacultura, conceito novo de ecologia, onde tudo que a natureza produz pode ser reaproveitado no próprio solo. O cultivo de orgânicos é uma tendência de mercado, que segue forte, devido à crescente preocupação das pessoas em relação à qualidade de vida, de alimentação mais saudável e de um modo de vida mais natural.

O cultivo de produtos orgânicos é uma ótima alternativa para proprietários de sítios e chácaras. Consiste em produzir hortaliças, frutas, plantas aromáticas, condimentares ou medicinais, sem o uso de defensivos ou fertilizantes químicos. O cultivo é considerado quase que "artesanal", pois normalmente é desenvolvido em pequenas áreas, se comparado às áreas plantadas com o auxílio de produtos químicos.

Para a produção em pequenas propriedades rurais, o cultivo orgânico é uma alternativa bastante atraente, do ponto de vista econômico. Com o plantio de uma pequena área é possível obter-se  uma produção com valor mais elevado, o equivalente ao valor de uma área cultivada, com o auxílio de produtos químicos, muito maior. Neste tipo de cultivo, a fertilização do solo é feita com compostos orgânicos, húmus e outras alternativas como a rotação de culturas, sempre se utilizando métodos que não contenham nenhum tipo de fertilizante químico.

(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor, poeta e ambientalista desde 1977

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SANEAMENTO BÁSICO RURAL: QUALIDADE DE VIDA

               As políticas públicas no Brasil para o saneamento básico rural são pífias. Os Planos Municipais de Saneamento Básico são pensados do ponto de vista urbana, o que é um contra senso, se imaginar que a qualidade da água que bebemos provém de mananciais rurais. No meio rural é que estão os olhos d’água e as nascentes que abastecem os pequenos córregos e riachos que dão origem aos ribeirões, cursos d’água que viram tributários dos rios.

            O Brasil possui aproximadamente 31 milhões de habitantes morando na área rural e comunidades isoladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – PNAD 2013). Desta população, somente 22% tem acesso a serviços adequados de saneamento básico e a realidade aponta que ainda existem quase 5 milhões de brasileiros que não possuem banheiro, ou seja, defecam ao ar livre.

           Portanto, cerca de 24 milhões de brasileiros ainda sofrem com o problema crônico e grave da falta de saneamento básico. Os motivos vão desde a ausência de prioridade nas políticas públicas até a própria cultura do morador da área rural, que não vê o saneamento básico como uma necessidade.

            Segundo dados do IBGE, estimativa de 2015, Ponte Nova possui 60.005 habitantes, sendo 10% existente no meio rural, espalhados em diversas comunidades, sendo as mais densamente povoadas o Cedro, Serra dos Pinheiros, Manoel Lucas, Bonfim, Brito, Ranchador e Dioguinho. Nestes locais não existe saneamento básico, do ponto de vista coletivo, mas algumas residências possuem as chamadas fossas sépticas, uma tecnologia simples, que vem sendo divulgada e ensinada pela EMATER.

            Fossas rudimentares  e outras soluções são por 47,3% dos domicílios rurais. Destaca-se que na sua maioria, essas soluções são inadequadas para o destino dos dejetos, como as já citadas fossas rudimentares, valas e o despejo de esgoto bruto diretamente nos cursos d’água, através daquelas “casinhas” construídas em cima do córrego. O restante, 52,7%, defeca ao ar livre, literalmente no meio do mato, aí permitindo a proliferação de doenças

            Em março, o vereador José Osório e o Secretário de Desenvolvimento Rural, Heitor Raimondi, propuseram usar parte dos recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente para aplicar em fossas sépticas e barraginhas, o que despoluiria cursos d’água e aumentaria a oferta do precioso líquido, que seria retido nas contenções. Recursos provenientes do orçamento do DMAES (0,5%) também seriam aplicados incluindo a novidade: recuperação e preservação de nascentes urbanas.

            Construir uma fossa séptica é muito simples e rende dividendos enormes para o meio ambiente. A EMPRABRA e a Universidade de São Carlos criaram a fossa séptica biodigestora, realizando estudos financiados pela Fundação Banco do Brasil. Quem quiser saber mais e como fazer, entre em contato com a EMATER Ponte Nova pelo e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) ou www.cnpdia.embrapa.br e www.fundacaobancodobrasil.org.br.

      

 

   
       

 

           

           

 

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SANEAMENTO BÁSICO RURAL: QUALIDADE DE VIDA

               As políticas públicas no Brasil para o saneamento básico rural são pífias. Os Planos Municipais de Saneamento Básico são pensados do ponto de vista urbana, o que é um contra senso, se imaginar que a qualidade da água que bebemos provém de mananciais rurais. No meio rural é que estão os olhos d’água e as nascentes que abastecem os pequenos córregos e riachos que dão origem aos ribeirões, cursos d’água que viram tributários dos rios.

            O Brasil possui aproximadamente 31 milhões de habitantes morando na área rural e comunidades isoladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – PNAD 2013). Desta população, somente 22% tem acesso a serviços adequados de saneamento básico e a realidade aponta que ainda existem quase 5 milhões de brasileiros que não possuem banheiro, ou seja, defecam ao ar livre.

           Portanto, cerca de 24 milhões de brasileiros ainda sofrem com o problema crônico e grave da falta de saneamento básico. Os motivos vão desde a ausência de prioridade nas políticas públicas até a própria cultura do morador da área rural, que não vê o saneamento básico como uma necessidade.

            Segundo dados do IBGE, estimativa de 2015, Ponte Nova possui 60.005 habitantes, sendo 10% existente no meio rural, espalhados em diversas comunidades, sendo as mais densamente povoadas o Cedro, Serra dos Pinheiros, Manoel Lucas, Bonfim, Brito, Ranchador e Dioguinho. Nestes locais não existe saneamento básico, do ponto de vista coletivo, mas algumas residências possuem as chamadas fossas sépticas, uma tecnologia simples, que vem sendo divulgada e ensinada pela EMATER.

            Fossas rudimentares  e outras soluções são por 47,3% dos domicílios rurais. Destaca-se que na sua maioria, essas soluções são inadequadas para o destino dos dejetos, como as já citadas fossas rudimentares, valas e o despejo de esgoto bruto diretamente nos cursos d’água, através daquelas “casinhas” construídas em cima do córrego. O restante, 52,7%, defeca ao ar livre, literalmente no meio do mato, aí permitindo a proliferação de doenças

            Em março, o vereador José Osório e o Secretário de Desenvolvimento Rural, Heitor Raimondi, propuseram usar parte dos recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente para aplicar em fossas sépticas e barraginhas, o que despoluiria cursos d’água e aumentaria a oferta do precioso líquido, que seria retido nas contenções. Recursos provenientes do orçamento do DMAES (0,5%) também seriam aplicados incluindo a novidade: recuperação e preservação de nascentes urbanas.

            Construir uma fossa séptica é muito simples e rende dividendos enormes para o meio ambiente. A EMPRABRA e a Universidade de São Carlos criaram a fossa séptica biodigestora, realizando estudos financiados pela Fundação Banco do Brasil. Quem quiser saber mais e como fazer, entre em contato com a EMATER Ponte Nova pelo e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) ou www.cnpdia.embrapa.br e www.fundacaobancodobrasil.org.br.

      

 

   
       

 

           

           

 

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DESPEDIDA DA PRESIDÊNCIA DO CODEMA

                                             Ponte Nova, 28 de abril de 2017                    

                                                     Caros cidadãos de Ponte Nova!                    

                                       A partir desta data deixo a presidência do Codema/Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio, órgão colegiado de assessoramento técnico do Poder Executivo. Paritário e deliberativo e normativo no âmbito de sua competência, o Codema notabilizou-se pela sua independência e coragem, não se submetendo a qualquer interesse comercial ou político. Como regra, sua eleição sempre ocorreu no ano anterior à posse de um novo prefeito, justamente para evitar contaminação política. Nas novas eleições vai prevalecer a subserviência ao poder público, uma vez que o Prefeito indica diretamente quatro representantes. Antes quem indicava os membros do Poder Público Municipal eram as Secretarias e o DMAES.

                                       Da minha parte, entendo que o atual governo municipal não tem culpa de nada do que está acontecendo. Como bem disse o Prefeito Wagner Mól Guimarães, “estou cumprindo literalmente o que está escrito na lei”. Ora, mas se uma lei é burra, autoritária e fora de propósito, não pode ser mudada?

                                      Continuo afirmando, a lei 4.088/2016, foi urdida nas escadarias sombrias e nos corredores coloniais da sede da Câmara Municipal, com o simples interesse de me alijar da presidência do Codema. O que nunca conseguiram pelo voto direto. Um golpe amparado por uma lei. Antes, os golpes eram através das baionetas dos milicos.

                                      Além disso, quando da derrubada dos vetos interpostos pelo Prefeito Guto Malta, dos vereadores presentes apenas Leo Moreira tinha sido reeleito. Vejam vocês! Na derrubada dos vetos do então Prefeito Guto Malta, comparecerem apenas 08 (oito) vereadores. E entre os oito, apenas 01 (um) tinha sido reeleito. Isto na segunda convocação, pois na primeira reunião não houve quorum, quando comparecerem apenas 05 (cinco) vereadores. Fato que nunca havia acontecido aos longos dos mais de 150 anos da Câmara Municipal. Desde que estou em Ponte Nova, há 40 anos, foi a primeira vez .

                                    Mas, vamos tocar o trem da história. Saio com a cabeça erguida e na esperança de que façam mais do que fiz com apoio dos meus companheiros honrados, leais e sempre querendo o bem desta terra, na defesa do meio ambiente.

                       Um abraço, e até breve!                                          

Ricardo Motta de Almeida

(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor, poeta e ambientalista desde 1977

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RECICLAGEM DE VIDRO: GERAÇÃO DE RENDA E PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

                 Em uma época não muito distante nossos pais e até nós mesmos, guardávamos engradados de cerveja com garrafas vazias. Até os anos 1990, esse era um dos mais comuns jeitos de se comprar a bebida. Cada vez que a pessoa queria tomar uma gelada, saía de casa com os cascos vazios e voltava do mercado ou do bar com garrafas cheias. Eram as retornáveis, que nunca saíram de circulação, mas perderam um pouco de espaço. Mas dar uma nova chance para elas pode ser uma opção barata e ecológica.

               O vidro é um dos produtos mais utilizados nas tarefas do dia-a-dia. Ao ser descartado por pessoas e empresas, pode passar por um processo de reciclagem que garante seu reaproveitamento. O vidro reciclado tem praticamente todas as características do vidro comum. O vidro pode ser reciclado infinitas vezes, sem perder sua característica e qualidade.

             A reciclagem do vidro é de extrema importância para o meio ambiente. Quando reciclamos o vidro ou compramos vidro reciclado estamos contribuindo com o meio ambiente, pois este material deixa de ir para os aterros sanitários ou para a natureza (rios, lagos, solo, matas). Não podemos esquecer também, que a reciclagem de vidro gera renda para milhares de pessoas no Brasil que atuam, principalmente, em cooperativas de catadores e recicladores de vidro e outros materiais reciclados.

           Lembro-me bem de dois recicladores em Ponte Nova, os chamados pioneiros, e eram muito populares. Um era o Aristóteles Schiavo, popular “Tote Torresmo”, apelido que ele detestava. A molecada gostava de mangar dele, mas hoje, passados muitos anos, pode-se compreender sua importância. Ele comprava garrafas vazias e usava uma carrocinha de madeira e com um megafone manifestava sua presença: “Quem tem garrafa vazia, eu compro”. Essas garrafas eram recicladas, mas reutilizando-as para engarrafar cachaça.

            Outro reciclador, mas de papelão, era o Adão Preto, amigo do militar do Exército, William Dâmaso de Oliveira, desde quando possuía a patente de Sargento e comandante do Tiro de Guerra de Ponte Nova. Mais tarde, William foi promovido a Tenente. Adão Preto coletava papelão em toda a cidade, mas concentrava seus esforços na Vila Centenário, onde convivia diuturnamente na casa de Seu Zezinho e D. Nega, pais de Jurandir Maciel e Dr. Wandeir Maciel. Adão tomava umas cachaças, mas era de uma contagiante alegria, gostava de carnaval e era amigo de Sette de Barros, que fornecia a ele muita matéria-prima (papelão). Acho que ele vendia este papelão para “Neném Miséria”, no Triângulo.        

            Outro reciclador foi o árbitro de futebol, José Castor, que seguiu os passos de Adão. Sua participação na sociedade, promovendo a reciclagem de papel, papelão e metais, rendeu-lhe o título de Defensor do Meio Ambiente, com a entrega de um diploma em 2005, durante cerimônia realizada na sede social do 1º de Maio. José Castor foi o único popular a receber uma honraria deste nível oferecida pelo Codema/Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente, que era presidida por mim na ocasião. Aliás, eu sou presidente do Codema, desde julho de 1999, quando fui eleito por aclamação. Entre 2011 e 2013, o Codema foi presidido pelo engenheiro civil Nelson José Gomes Barbosa. Aproveito para me despedir.  A partir de 24 de abril de 2017, saio da presidência e entrego as chaves para o secretário Geral José Gonçalves Osório Filho. 

            Mas voltando ao vidro, notícias recentes dão conta que as cervejarias estão investindo na fabricação de garrafas recicláveis e estimulando o uso das retornáveis. Bom para todos e melhor ainda para o meio ambiente. A reciclagem é um processo inseparável da produção de embalagens de vidro, afinal, o vidro é único material 100% reciclável, infinitas vezes. 

 

           

(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor, poeta  ambientalista desde 1977.

 

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LAMA DA SAMARCO CONTAMINA POÇOS ARTESIANOS EM MINAS E ESPÍRITO SANTO

            A Lama da Samarco que “caminhou” cerca de 400 km, desde Mariana até ao Espírito Santo, produziu um rastro de destruição humana e ambiental sem precedentes, já quantificados e definidos.  O Ministério Público tem sido peça fundamental para que as ações de recuperação sejam aplicadas imediatamente, após reuniões, encontros e movimentos de atingidos por barragens, prefeitos da região e membros de comitês.

            Uma nova notícia, negativa, que vem do Green Peace que patrocinou análises de água de poços artesianos em cidades próximas a Governador Valadares (MG) e em Colatina (ES), choca a opinião pública. Os laudos emitidos pelos cientistas da UFRJ apresentam dados alarmantes. Os níveis de metais pesados, principalmente o ferro, estão superiores aos permitidos pela OMS. Ou seja, o rastro de destruição está ampliado, com o veneno da lama afetando o lençol  freático.

            O excesso destes metais no organismo, conforme o laudo da UFRJ pode provocar doenças até fatais, atingindo áreas sensíveis do ser humano, como rins, pâncreas e fígado. O consumo contínuo destes elementos químicos pode provocar graves doenças. Quando lançados como resíduos industriais na água, no solo ou no ar, esses elementos podem ser absorvidos pelos vegetais e animais das proximidades, provocando grave intoxicações ao longo de toda a cadeia alimentar.

            Poucos sabem, mas a lama do rio do Carmo atingiu trecho de Ponte Nova, na localidade rural denominada Simplício, arrasando plantações e entupindo córregos que desaguavam no rio do Carmo. Esta informação foi repassada na ocasião por relatórios que elaboramos (eu e Alfredo Padovani), quando vistoriamos os locais atingidos em 11 de novembro de 2015, 06 (seis) dias após o desastre provocado por rompimento da barragem de Fundão. Os municípios de Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce foram duramente afetados, com destruição das matas ciliares do rio do Carmo e do rio Doce e conseqüente afetação do lençol freático por metais pesados. Nesta região, existem poços artesianos e seria em boa hora que fosse feitas análises pormenorizadas.

            No local denominado Barra do Piranga, nos fundos da propriedade dos Guedes, a 22 quilômetros de Ponte Nova, o efeito tsunami da lama misturada com árvores e entulhos, destruiu totalmente a bela paisagem do encontro dos rios Piranga e do Carmo, ponto onde nasce o rio Doce. Outro fenômeno provocado pela tragédia ambiental foi o refluxo de lama para dentro da calha do rio Piranga, afetado em mais de 02 (dois) quilômetros acima do encontro. A região também possui vários poços artesianos.

            No caso das análises de água dos poços artesianos, a situação é complicadora, pois os níveis de metais pesados encontrados impedem o consumo humano e de animais.

 

(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor, poeta e Ambientalista desde 1977.

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PROIBIR A PESCA NÃO RESOLVE: PROIBIR A COMERCIALIZAÇÃO, SIM!

            Sou frequentador de botecos. Em quase todos os bairros de Ponte Nova existe um preferido em que costumo tomar minhas cervejas. Fiquei conhecido por não comer peixe do rio Piranga no período da Piracema. Levo esta determinação há mais de 10 anos. Consegui com meu gesto uns poucos seguidores, que entenderam a importância de diminuir o volume de peixes de espécies nativas servindo de tira-gosto.

            Quando aconteceu o desastre que implodiu o ecossistema dos rios Gualaxo do Norte, Doce e Carmo, com refluxo de quase 02 (dois) Km do rio Piranga, na localidade Barra do Piranga onde se encontram os rios Carmo e Doce, o Codema tomou posição para criar uma DN/Deliberação Normativa que proibia a pesca no rio Piranga e seus afluentes: Mata-Cães, Vau-Açu e Oratórios. A ideia é manter um banco genético dos peixes nativos que ajudaria a salvar a piscosidade do Doce e do Carmo.

            A proposta veio depois de ouvir o Ph. D. em Peixes, Jorge Dergam dos Santos, professor da UFV, que disse na ocasião: “Não existe mais ictiofauna no trecho devastado pela lama, que arrastou galhos de árvores e animais mortos. Posso afirmar que a morte de peixes nos rios do Carmo, Gualaxo do Norte e Rio Doce foi quase 100%”.

            Entre as propostas aprovadas em reuniões do órgão ambiental constavam: 01) proibição da pesca nativa por 05 (cinco) anos; 02) proibição da comercialização em bares, restaurantes e supermercados, de pescado nativo das bacias hidrográficas do rio Piranga e Doce, nestas cidades da microbacia; 03) nas cidades onde existir pescador profissional, eles seriam contratados pela SAMARCO e passariam a integrar equipes projetos que trabalhem na recuperação de nascentes.

            A proposta de proibir a comercialização encontrou forte resistência em Ponte Nova e região. Entrou o lobby de proprietários de restaurantes, bares, hotéis e similares, e as Câmaras de Vereadores da região silenciaram-se. Embora, fosse bem explicado que  só seriam proibidos os peixes de piracema e em risco de extinção: piau-vermelho, corvina, piaba-branca, surubim, lambaris de todas as espécies, entre outros. Principalmente, o surubim-do-doce que está em vias de extinção.

            A proibição da pesca na parte mineira do Rio Doce e seus afluentes e os formadores rios Piranga e Carmo continua, mesmo com o fim do período da piracema. Mas, esta proibição é inócua visto que a pesca predatória continua em níveis bem superiores, no rio Piranga, pois lá pra baixo  a quantidade de peixes diminuiu  para além de 90%.

            Enquanto isso, em Ponte Nova, as geladeiras e freezers dos bares, botecos e restaurantes estão abarrotados, inclusive com peixes fora das medidas. A Polícia Militar Ambiental mostra-se eficiente na fiscalização, mas insuficiente numericamente para conter tanta transgressão ao meio ambiente.

 

(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Presidente do Codema de Ponte Nova e Ambientalista desde 1977.

 

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A BÍBLIA E O MEIO AMBIENTE

            O livro mais lido do mundo, a Bíblia, é considerado o mais importante legado da história da humanidade, foi escrito por muitos homens e profetas. O Velho Testamento traz histórias incríveis, a partir do Gênesis, o primeiro a falar com clareza sobre meio ambiente. Quando Deus criou o Jardim do Éden, Ele deixou a cargo de Adão e Eva o cuidado do mundo belo e perfeito. Gênesis 1:26: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”. 

           Já no Novo Testamento, no Livro do Apocalipse, escrito por João, fica claro que a destruição da natureza será a causa do desaparecimento do homem da face. Sem ser apocalíptico, o tempo está próximo. Deus avisa que, aqueles que destroem a Terra, serão destruídos. Apocalipse 11:18: “Iraram-se, na verdade, as nações; então veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.”

            Na Bíblia, a contextualização de água é sinal de vida. Sem ela nada se pode fazer. Isto não é uma questão recente, mas desde os tempos Bíblicos. Sabemos da importância de um poço de água para se criar os rebanhos nas regiões desérticas. Na história dos patriarcas são descritas as lutas entre os criadores de gado por causa de um poço de água. A água se faz presente no Batismo de Jesus Cristo pelo Profeta João Batista, pregador judeu, nascido no Século I.  Na Bíblia, João Batista é a “voz que clama no deserto”.

            Jesus Cristo foi batizado no rio Jordão, que é um rio de grande importância religiosa, situado na Palestina, formando o talvegue do Vale do Jordão, a fronteira natural entre Israel e a Jordânia. Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). O rio deságua no mar Morto. Mas, a pior notícia: está poluído e é controlado pelo Exército de Israel, que mata palestinos advindos de Jericó.

             Mas, a Bíblia também pode e deve ser contestada. Vejamos o que está escrito em Gênesis 8:13: “Esta­beleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para des­truir a terra". No meu entendimento, esta profecia não pode ser levada a sério, pois a quantidade gente morta por dilúvios, tempestades e tsunamis, contrariam este pacto.

‘           A terra tem que ser preservada da quantidade de agrotóxicos, pesticidas e descansar para cumprir seu ciclo e não ferir a qualidade das lavouras. Isto é determinado por estudos nos tempos atuais, mas Bíblia já falava sobre o tema em Levítico Capítulo 25 Versículos 3 e 4, quando os homens viam a terra como sobrevivência: Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas”.

            Mas nem só de Bíblia vive o meio ambiente, mas da sabedoria dos índios e o cacique americano Seattle em 1885, bem o disse:“O que ocorrer com a terra recaíra sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.”

                   (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Presidente do Codema de Ponte Nova e Ambientalista desde 1977.

 

    

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FUNDO DE MEIO AMBIENTE VAI FINANCIAR RECUPERAÇÃO DE NASCENTES E MATAS CILIARES

            Há alguns anos o Fundo Municipal de Meio Ambiente vem financiando, por deliberação do Codema, algumas ações importantes para o município de Ponte Nova. Os mais vigorosos são: 02) aquisição de terreno na fazenda Cachoeira, localizado na Estrada de Barra Longa, para implantação do futuro Aterro Sanitário no valor de R$ 85.000,00 liberados em 2010; 02) elaboração do Projeto Técnico para inscrição do Parque Natural Municipal Tancredo Neves no IEF, com aporte de R$30.000,00; 03) Financiamento do Plano de Manejo do Parque Passa-Cinco: R$ 26.000,00; 04) Aquisição de 02 (duas) motos e um barco a motor para monitoramento e fiscalização do Passa-Cinco, que custaram R$ 16.000,00; 05) cercamento completo do mesmo parque com eucaliptos imunizados e fios lisos, ao custo de R$ 28.000,00.                                            

        O Fundo Municipal de Meio Ambiente foi criado no ano de 2.000. A ação decorreu de iniciativa do Ministério Público e do Codema, quando era Promotor de Justiça, com atuação no Meio Ambiente, Dr. Sérgio de Castro Moreira dos Santos. A Lei do Fundo Municipal foi apresentada pelo Executivo com a participação direta do vereador Heitor Raimondi, que era Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal. Por recordação, é bom registrar que naquele mesmo emplacou-se a Lei de Óleos e Graxas, que obriga oficinas mecânicas e lava à jato a usarem caixas separadoras de óleos, graxas e resíduos sólidos (barro), evitando o despejo no rio Piranga.                                                                                                                   

       Neste ano de 2017, de Nosso Senhor Jesus Cristo e com as bênçãos de São Francisco de Assis, projetos necessários serão efetivados, com recursos que superam  os R$ 200.000,00: proteção de nascentes urbanas, recuperação de matas ciliares e saneamento básico rural, com a construção de fossas sépticas. Estes projetos/programas foram aprovados pelo Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente e deverão ser licitados ainda no primeiro semestre, sempre sob a coordenação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e DMAES.                      

      O DMAES tem que aplicar 0,5% dos recursos do seu orçamento anual em projetos de matas ciliares (1/3) e os outros 2/3 serão na proteção de nascentes. É um novo marco ambiental, que se espera ver realizado, pois nos últimos 08 (anos) não se aplicou nenhum centavo. Sabe-se que parte destes 0,5% foi usada para adquirir terreno para construção de futura ETE abaixo da Rasa. Os recursos, na opinião de muitos foi desvio de finalidade e nem foi aprovado pela Semam, como manda a legislação em vigor. O assunto foi tema de reunião do Codema, quando contestei a aplicação dessa forma.                                                                                                                                 

      O relatório anual das Nações Unidas faz terríveis projeções para o futuro da humanidade. A ONU prevê que em 2050 mais de 45% da população mundial não poderá contar com a porção mínima individual de água para necessidades básicas.  Segundo dados estatísticos existem hoje 1,1 bilhão de pessoas praticamente sem acesso à água doce. Estas mesmas estatísticas projetam o caos em pouco mais de 40 anos, quando a população atingir a cifra de 10 bilhões de indivíduos.   A falta de saneamento rural é uma das principais causas de insalubridade e degradação hídrica, caracterizando-se pela disposição inadequada de resíduos sólidos e líquidos, demandando estudos acerca do tema para melhoria da qualidade vida da população, por isso,hoje os estudos envolvendo os recursos hídricos têm como princípio analisar toda a bacia hidrográfica, suas características físicas, para melhor resolver as questões de saneamento.                                              

     Com aplicação destes três programas poderemos alcançar um nível melhor na proteção  de recursos hídricos, evitar que as populações urbanas consumam as águas de minas contaminadas com coliformes fecais e totais e evitar que lixo e entulhos sejam carreados para dentro dos córregos, ribeirões e do rio Piranga.

                                                                  A esperança continua e é a última morre!               

          (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Presidente do Codema de Ponte Nova e Ambientalista desde 197

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MAIS DE UM TRILHÃO DE ABELHAS DIZIMADAS: PRODUÇÃO DE ALIMENTOS EM RISCO

            Nos últimos 05 (cinco) anos, conforme pesquisas e levantamentos de órgãos governamentais e não governamentais, o uso abusivo de agrotóxico e pesticida provocou a morte de mais de 01 (um) trilhão de abelhas no Brasil. Este assunto tem sido divulgado de forma acanhada em jornais, mas já chegou aos círculos científicos merecendo artigos publicados em revistas científicas. Por aqui, o ambientalista Hélcio Totino alertou para o fato há mais de 05 (cinco).                                                                                                                                                

             Na edição nº 7393 do jornal “O Tempo”, com data de domingo, dia 12/3/2017, a principal reportagem é esta: “Risco de extinção de abelhas ameaça 1/3 dos alimentos”. Mais abaixo, no “bigode”, está escrito: “Ação do animal é responsável por 35% das colheitas”. Muitos alimentos, principalmente frutas precisam de polinização nas suas flores. A abelha faz isso. A extinção das abelhas coloca em risco outras espécies de árvores. Das 25 mil espécies de abelhas cerca de 07 (sete) mil estão na lista de extinção.                                                                   

             Precisamos participar de ações combatendo a proliferação de agrotóxicos e pesticidas. Partir para a Permacultura é o sinal para o desenvolvimento equilibrado. Permacultura é um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza. Surgiu da expressão em inglês “Permanent Agriculture” criada por Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970 e tem princípios éticos: 01) Cuidar da terra, 02) Cuidar das pessoas; 03) Compartilhar excedentes.                                                             

            A questão das abelhas desaparecendo chegou a Harvard, nos Estados Unidos, uma das mais prestigiadas universidades do mundo. Os cientistas estão desenvolvendo, desde 2013, um bichinho voador com apenas 03 (três) cm de comprimento e 80 mg inspirado nas abelhas para, possivelmente, ajudar na polinização das plantas, caso os animais entrem em extinção. No Brasil, a bióloga e professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Generosa Souza Ribeiro estima que pelo menos 15 mil colméias tenham sido extintas nos últimos 05 (cinco) anos, só naquela região da Bahia. No Brasil pode ter chegado a 01 (um) trilhão.     

          (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Presidente do Codema de Ponte Nova e Ambientalista desde 1977.

                 

           Dados coletados por organismos técnicos confirmam que não existe forma segura de aplicar agrotóxicos. O doutorando em saúde coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pedro Abreu afirmou que pesquisas já mostram que resíduos de químicos foram encontrados no leite materno. Além das abelhas, os agrotóxicos têm levado malformações em sapos e infertilidade em outros animas aquáticos.                                                                                        

            Além da polinização, a abelha produz mel e própolis, alimentos saudáveis. Própolis é remédio eficaz no combate a viroses e mel é alimento dos Deuses.  As mais antigas referências à colheita e extração de mel são 5.000 anos atrás. A introdução das abelhas no Brasil foi atribuída aos jesuítas no século XVIII, nos territórios que hoje fazem fronteiras com o Uruguai, no noroeste do Rio grande do Sul. Diversos outros fatores, além dos agrotóxicos estão ajudando no extermínio de abelhas: variações sazonais de temperaturas, vibração de motores, odores fortes, movimentos bruscos e cores escuras. Sem as abelhas, o mundo perde frutas, vegetais e dinheiro.                       

             Como assíduo freqüentador do Parque Natural Municipal Tancredo Neves (Passa-Cinco) pude atestar a veracidade do sumiço das abelhas e a conseqüente perda de duas espécies, que praticamente desapareceram naquela Unidade de Conservação: o maracujá do mato e o olho-de-boi.  As abelhas do Parque morreram em função de agrotóxicos que foram despejados nas lavouras de cana de açúcar do entorno. Dados que impressionam: 85% das plantas do Planeta dependem dos polinizadores para serem fecundadas e 35% das colheitas são afetadas pela falta de abelhas. Elas respondem por um 1/3 do que comemos.                                                                                     

              Um pensamento que emociona e espanta, atribuído a Albert Einstein (1879-1955): “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução de flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.”

                                                                                             

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