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PARA A POETA LAENE, O JOGO DA PALAVRA DECIDIDA!

PARA A POETA LAENE, O JOGO DA PALAVRA DECIDIDA!

Para a Mestra, com carinho.

Para a poeta, o jogo da palavra decidida!

                                                                                                                                                   

Leio no Facebook a mensagem de Lindaura Primavera dizendo que a luz de Ponte Nova piscou exatamente quando Laene partiu para o infinito, na noite de ontem, 14 de setembro de 2017. Laeninha, filha da poeta Laene, me disse o mesmo na Capela Velório. Não sei mais se a luz de Ponte Nova era da Cemig. Sei que o Ele de Laene é de Luz, como bem disse Pedro Zaidan.

 

Estranho velório! Não vi na face das pessoas os olhos marejados de lágrimas. As pessoas conversavam calmamente, tem gente que até ameaçava um sorriso franco. Olhos lacrimejantes do rebelde garoto Martim Mucci, que como jogador desafiou a direção do clube onde jogava. Martim, uma rocha de sensibilidade não escondia o sentimento da perda. Laeninha me recebeu com uma forma convicta de que sua mãe mudou-se para uma estrela perto de nós. A cidade não ficará órfã, pois a magnitude da escritora social manterá a família unida.

 

Estranho velório! Mais parecia um ajuntamento de amigos. Ninguém ali se sentia desamparado. Todos se abraçavam e desejam condolências, como se todos fossem filhos, irmãos, primos de Laene. Netos também, pois crianças e jovens, uniformizados ou não, circulavam pelo local. Flores chegavam a mancheias ou em forma de buquês. Todas exalavam um perfume que não se podia traduzir. Uma mistura de alfazema com alecrim, ou o adocicado cheiro do mel.

 

Abraçar o filho João, este de sangue Teixeira Mucci, era reconfortante como ouvir as palavras amenas e firmes do filho Eduardo. Alfredo, o jovem e elegante garoto, que foi craque de futebol de salão, não havia chegado. Nem Nathayl. Mas ficava a sensação de que pairava no ar a imagem deles que viajam para o penúltimo encontro, pois Laene não foi embora. Apenas brincou de esconde-esconde com todos que viam sua imagem colorida dentro do invólucro que a protegerá quando ela entrar para sua penúltima morada.

 

Percebia-se nos olhos de todos, o orgulho de ser amigo de Laene. Cada um tinha uma história para contar.Todos se alvoraçavam para imprimir sua passagem ao lado de Laene. Quando a lenda é mais interessante que a realidade , imprima-se a lenda (John Ford).

Ficava claro que a perda não era só da família. Era uma perda coletiva.

 

 

Bem disse Janotinho: “quem perdeu foi Ponte Nova!”.

Mas, a cidade não ficará mais pobre, pois Laene deixou uma fortuna para ser dividida para todos: clareza, transparência d’alma, alegria e convicção. Deixou um legado cultural só comparável a Cora Coralina. Mais de cem livros, centenas de poemas, dezenas de peças de teatro e coloridas capas de livro, concebidas com sua sensibilidade de amor urgente. E suas colagens concretas e florísticas, de frente para o arco-íris!

 

Onde Laene morou existe um jardim colorido, com a imagem de São Francisco de Assis, talhada pelas plásticas mãos de Antônio Inácio/Boneca e um Saci-Pererê, este pulando numa perna só para receber a todos no portão magnético da Rua Anselmo Vasconcellos, Guarapiranga. Vizinha de Ludovina Pires, amigas inseparáveis, professoras que foram pela vida afora.

 

Fada-Madrinha das Artes, codinome criado por todos, reivindicado por alguns. Mas quem tem direito exclusivo sobre Laene? Ninguém!

 

Laene era ponto de encontro e ponto de partida. Se resumir pudéssemos nós, deixaríamos como epitáfio em sua lápide (ao lado de João Mucci, seu porto de atracação), a poesia de Sérgio Ricardo para defini-la: “Tenho pra minha vida/A busca como medida/O encontro como chegada/E como ponto de partida!”



                                   Até breve Laene!

 

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